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Esteróides anabólicos androgênicos (EAA) e fertilidade

Muitos usuários de EAA se preocupam com os efeitos colaterais estéticos da utilização desses fármacos, entretanto nem todos estão preocupados com outros efeitos não observáveis como a espermatogênese e a fertilidade, por exemplo. Mas os EAA, de fato, impactam negativamente na produção de espermatozóides e na fertilidade?

Primeiramente, é importante saber que para uma espermatogênese adequada são necessárias: testosterona intratesticular em concentração ideal e atividade das gonadotrofinas (LH e FSH). Com a utilização de EAA, por feedback negativo, ocorre uma inibição do eixo hipotálamo-pituitária-gonadal e os níveis de LH e FSH caem. Com isso, mesmo em doses altas de testosterona exógena, a concentração de testosterona intratesticular não alcança níveis ideais para a espermatogênese. Por esse motivo, a grande maioria dos usuários irão desenvolver oligospermia/azoospermia associado com anormalidades na motilidade e morfologia dos espermatozóides e, no mais tardar, atrofia testicular.

Isso quer dizer que esse indivíduo é infértil? Não. Mesmo oligospérmico é possível ocorrer a concepção, as taxas de falha nas tentativas de fazer dos EAA um anticoncepcional masculino são altas. No entanto, a fertilidade fica comprometida na maioria dos usuários. Esse comprometimento é irreversível? A resposta é depende. Entretanto, de forma geral a espermatogênese costuma retornar em 4 meses após a interrupção do uso, podendo demorar até 3 anos. Alguns fatores irão influenciar na velocidade de retorno como idade, tempo e dose de uso, por exemplo.

Nos casos em que o paciente refere pressa para recuperar a fertilidade ou que a recuperação natural está demorando muito (mais de 6 meses), o médico poderá prescrever algumas terapias para acelerar o processo como: HCG (análogo do LH) e clomifeno (reduz o feedback negativo elevando as gonadotrofinas). Inicialmente são suficientes, mas outras terapias ainda podem ser realizadas como FSHr que apresentam um custo elevado.

Por fim, é essencial ressaltar que a infertilidade masculina associada a esteroides anabolizantes é subdiagnosticada, mas uma forma potencialmente tratável de infertilidade relacionada a drogas, reforçando ainda mais a importância do seu diagnóstico. Devido às altas porcentagens de abuso de EAA, recomenda-se considerar essa causa de azoospermia/oligospermia no homem subfértil e considerar o tratamento caso a espermatogênese não se recupere espontaneamente.

Referências:

doi: 10.1007/s00345-003-0365-9
10.1210/jc.2018-01882

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