Ganhe força e músculo sentado no sofá!

Aumentando força e síntese proteica sentados “no sofá” com uso de testosterona (T) em homens saudáveis na casa dos 65 anos, será isso mesmo?

Diferente dos outros posts, hoje eu trouxe um artigo mais “oldschool”, escrito em 1995 por Randall e colegas, mas que, pela sua qualidade metodológica, vale a pena trazer para vocês.

Esses pesquisadores avaliaram a capacidade da melhora no endurance (VO2max), do aumento de força, da síntese proteica e do volume muscular de 6 homens saudáveis na faixa dos 67 anos, sedentários, com níveis de testosterona < 480 ng/dl sem alterações cardiovasculares.
Como a metodologia é bem complexa, vou resumir ao máximo (recomendo que leiam na íntegra), os pesquisadores aplicaram doses de Enantato de Testosterona 75-150 mg/semana até atingir níveis de T total séria entre 500-1.000ng/dl, fizeram exames de sangue seriados e alguns até contínuos para avaliar os níveis de GH e IGF-1 plasmáticos, biópsia muscular para avaliar o IGF-1 intramuscular e o enriquecimento com os isótopos de fenilalanina para checar a síntese proteica.

Esses indivíduos foram acompanhados por 4 semanas apresentaram alguns efeitos adversos que vale aqui citar, mas que não foram o foco do estudo, como o aumento de PSA, do Estradiol e queda do HDL (p<0,05), mas que eles relataram não saber a real repercussão clínica desses achados.

O resultado disso foi o mais intrigante, pois o uso dessas dosagens de T resultou no aumento de força nos na flexão e extensão de joelhos bem como na taxa de síntese proteica, mas não houve aumento do volume muscular, da capacidade de fazer mais repetições nem do Vo2max.
Mas e o GH e IGF-1, não ajudou na hipertrofia? Durante o uso de T, não houve aumento dos níveis de IGF-1 séricos, mas nós sabemos que o IGF-1 intramuscular é que está associado ao aumento de síntese proteica, nesse caso, eles realizaram a biópsia do vasto lateral e mediram indiretamente por meio do mRNA que codifica o IGF-1, este sim aumentou, e pra completar, o mRNA que sintetiza o IGFBP-4 diminuiu, traduzindo, mais IGF-1 livre para seu músculo utilizar.

Resumo da ópera, lembrem-se que esse grupo de estudo não foi submetido a uma rotina de treinamento, e mesmo assim o uso de testosterona resultou no aumento de força que repercutiu na diminuição do risco de quedas/acidentes, imagine os resultados com uma adequação dietética e rotina de atividade física. Entretanto, o uso de medicação tem seus efeitos adversos que devem ser avaliados e ponderados o risco-benefício.

Autores:

João Diniz + Marcos Staak Jr.

Referência:

DOI: 10.1152/ajpendo.1995.269.5.E820
Urban RJ, Bodenburg YH, Gilkison C, Foxworth J, Coggan AR, Wolfe RR, Ferrando A. Testosterone administration to elderly men increases skeletal muscle strength and protein synthesis. Am J Physiol. 1995 Nov;269(5 Pt 1):E820-6. doi: 10.1152/ajpendo.1995.269.5.E820. PMID: 7491931.

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