O uso da terapia pós-ciclo e sua relação com a redução dos sintomas de abstinência de esteroides anabólicos-androgênicos

O uso de esteróides anabólicos-androgênicos (EAA’s) é uma prática crescente, especialmente entre homens, devido aos efeitos desejados no aumento de massa muscular e no desempenho atlético. Contudo, esses compostos suprimem a produção natural de testosterona, o que pode levar a uma série de problemas hormonais e físicos após a cessação de seu uso. Uma pesquisa recente com 470 homens explora como a terapia pós-ciclo (TPC) pode aliviar os sintomas de abstinência causados pela interrupção do uso desses esteróides.

Os efeitos do uso de EAA’s no corpo masculino

O uso de EAA’s pode suprimir a produção de testosterona natural por meio da inibição do hormônio luteinizante endógeno (LH). Essa supressão pode persistir por meses ou até anos após a interrupção do uso dos esteroides, resultando em um quadro de hipogonadismo central induzido por EAA’s. Os sintomas associados incluem fraqueza muscular, libido reduzida, disfunção erétil, além de questões emocionais como depressão, ansiedade e, em casos extremos, pensamentos suicidas. Homens que sofrem com esses sintomas frequentemente retomam o uso de EAA’s para evitar o desconforto, criando um ciclo potencialmente vicioso e perigoso.

A Terapia Pós-Ciclo (TPC): uma prática comum, mas não comprovada

O uso de esteróides anabólicos androgênicos tem aumentado na população em geral, e muitos homens recorrem à terapia pós-ciclo (TPC) como uma prática não comprovada para minimizar os efeitos negativos da interrupção. Embora a TPC seja amplamente utilizada, atualmente não existem diretrizes clínicas estabelecidas para o manejo do hipogonadismo induzido por EAA’s. Na ausência de orientação médica formal, muitos homens buscam informações e substâncias em fontes não especializadas, como a internet e colegas, muitas vezes ignorando o acompanhamento profissional.

Pesquisa com 470 Homens: Efeitos da Interrupção do Uso de EAA’s

Uma pesquisa anônima conduzida no Reino Unido com 470 homens que usaram EAA’s recentemente ou no passado investigou os sintomas experimentados durante a cessação do uso e o impacto da TPC no alívio desses sintomas. A amostra foi composta principalmente por homens entre 18 e 44 anos, com 42% entre 18 e 30 anos e 62% entre 31 e 44 anos. Aproximadamente 65% dos participantes relataram pelo menos uma tentativa de interromper o uso de EAA’s, e mais de 90% dos que tentaram cessar o uso experimentaram sintomas adversos, como cansaço, libido reduzida, humor baixo e fraqueza física.

Eficácia da Terapia Pós-Ciclo

Dentre os participantes da pesquisa, apenas 14 não relataram sintomas após a interrupção dos esteroides. De acordo com os resultados, a terapia pós-ciclo foi eficaz na redução dos sintomas de abstinência. Os sintomas relacionados ao desejo sexual diminuíram em 60%, enquanto os pensamentos suicidas foram reduzidos em 50%. Contudo, mais da metade dos entrevistados indicaram que seria improvável ou muito improvável que parassem de usar EAA’s nos próximos cinco anos, sugerindo que a dependência psicológica e física dos esteroides ainda representa um grande desafio.

Desafios na interrupção do uso e a falta de diretrizes médicas

Uma das maiores preocupações dos participantes foi a incerteza quanto à recuperação da testosterona e a possível perda de desempenho físico após a interrupção dos EAA’s. A falta de uma diretriz médica consolidada sobre a TPC e a falta de confiança de muitos médicos para tratar o hipogonadismo induzido por esteroides contribuem para a relutância de muitos homens em cessar o uso. Isso coloca um obstáculo significativo para aqueles que buscam interromper o uso de esteroides, mas não têm certeza sobre como proceder sem orientação adequada.

Embora os medicamentos usados na TPC sejam comumente empregados no tratamento do hipogonadismo masculino, não há ensaios controlados atuais que demonstrem sua eficácia ou segurança no tratamento de hipogonadismo induzido por EAA’s. Por essa razão, ainda é prematuro recomendar o uso da TPC como uma abordagem padrão para esses casos. No entanto, caso a TPC seja comprovada como eficaz, o envolvimento de profissionais de saúde seria essencial para implementar um tratamento mais seguro e estruturado, que inclui o uso de entrevistas e grupos focais para avaliar as atitudes dos pacientes e melhorar a prática.

Um tratamento temporariamente inválido

A pesquisa destaca o impacto significativo da terapia pós-ciclo no alívio dos sintomas de abstinência dos esteroides anabólicos-androgênicos, especialmente em relação ao desejo sexual e pensamentos suicidas. No entanto, a falta de diretrizes clínicas claras sobre a TPC e a preocupação com a recuperação física e hormonal após a cessação do uso dos EAA’s continuam sendo desafios importantes. Para que a TPC seja considerada uma abordagem válida e segura, mais estudos controlados e uma maior colaboração entre profissionais de saúde e pacientes serão necessários, a fim de traduzir os resultados em práticas clínicas eficazes.

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FONTE: https://doi.org/10.1186/s13011-023-00573-8

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